Rioja: conheça o “coração” da produção de vinhos de qualidade da Espanha

Por: Fabiana Gonçalves | @escrivinhos

Quando se fala em produção de vinhos de qualidade, a Rioja, é uma região a ser destacada. Localizada no norte da Espanha, essa localidade elabora vinhos desde a época romana, mas teve sua ascensão no século XIX, quando viticultores franceses se estabeleceram na região fugindo da filoxera, praga que matou muitos vinhedos na Europa.

A capital da comunidade autônoma de La Rioja chama-se Logroño. Trata-se de um centro vital para a produção e comercialização de vinhos na região. A Rioja estende-se ao longo do rio Ebro e está dividida em três sub-regiões:

Rioja Alta: Situada a oeste, tem uma altitude mais elevada e clima mais fresco, produzindo vinhos elegantes e com bom potencial de envelhecimento.

Rioja Alavesa: Localizada ao norte do rio Ebro, dentro da província basca de Álava. É conhecida por seus vinhos frutados e bem equilibrados.

Rioja Oriental (ou Rioja Baja): Fica ao sudeste e possui um clima mais quente e seco, produzindo vinhos mais encorpados e com maior teor alcoólico.

TIPOS DE VINHOS – A região da Rioja produz vinhos tintos, brancos, rosés e até espumantes, mas é conhecida especialmente pelos vinhos tintos.

A principal variedade de uva para se produzir vinhos tintos na Rioja é a Tempranillo, responsável pela estrutura e longevidade dos vinhos. Outras variedades importantes são a Garnacha, Graciano e Mazuelo (Carignan).

Já os vinhos brancos são produzidos principalmente com a uva Viura (ou Macabeo). Mas também se usam a Malvasía e a Garnacha Blanca.

CLASSIFICAÇÕES – Os vinhos tintos da Rioja têm uma classificação própria, que é regulada pelo Consejo Regulador de la Denominación de Origen Calificada (DOCa) Rioja. Essa classificação se divide em:

  • Joven: Vinhos jovens, geralmente sem envelhecimento em barris de carvalho. Devem ser consumidos jovens.
  • Crianza: Envelhecidos por pelo menos dois anos, com pelo menos um ano em barris de carvalho. Prontos para beber após o período de envelhecimento, mas podem ser guardados por alguns anos.
  • Reserva: Envelhecidos por pelo menos três anos, com pelo menos um ano em barris de carvalho. Podem ser consumidos após o período de envelhecimento, mas também têm bom potencial de guarda.
  • Gran Reserva: Envelhecidos por pelo menos cinco anos, com pelo menos dois anos em barris de carvalho. Podem ser consumidos após o período de envelhecimento, mas geralmente são guardados por muitos anos para desenvolver ainda mais complexidade.

ESTILOS – A Rioja oferece vinhos com vários perfis, que vão dos mais leves aos mais complexos. Os tintos clássicos usam bastante carvalho americano, o que dá a eles notas de baunilha, coco e especiarias. Já os tintos modernos usam carvalho francês e usam técnicas de vinificação que focam na expressão da fruta e terroir.

Entre os vinhos brancos podemos encontrar os brancos frescos, que valorizam a fruta e a acidez, e os brancos com madeira, que são mais complexos e trazem notas de carvalho, especiarias e baunilha.

Os rosés geralmente são produzidos com a uva Garnacha e são frescos, frutados, feitos para serem consumidos jovens.

PRODUÇÃO – Uma curiosidade na produção de vinhos tintos na Rioja é que algumas vinícolas ainda usam a clara de ovo no processo de colagem dos seus vinhos. Essa técnica envolve a adição de agentes clarificantes ao vinho (no caso a clara de ovo), para a retirada de partículas do vinho. A clara é tradicionalmente usada para remover taninos adstringentes.

CLIMA E SOLO – A Rioja tem seu clima influenciado por dois oceanos: o Atlântico e o Mediterrâneo. Combinado com a variedade de solos, que inclui o argilo-calcário, o argilo-ferroso e o aluvial, contribui na complexidade e diversidade dos vinhos da região.

ENOTURISMO – A região da Rioja é famosa pelo enoturismo e oferecendo visitas a vinícolas, degustações, além de promover festivais de vinho. A cidade de Haro, na Rioja Alta, é um centro importante para a indústria do vinho e sedia a famosa “Batalla del Vino” (Batalha do Vinho) todos os anos.

Entre algumas das vinícolas da região que vale a pena explorar estão a Marqués de Riscal, Marqués de Murrieta, Bodegas Muga e Bodegas La Rioja Alta, entre outras.

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